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Cabeço de Montachique | Expansão Urbanística

Cabeço de Montachique a p&b
Carlos Costa Rodrigues 


Foi deliberada ontem, 6 de março de 2024, na 60.ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Loures, a proposta n.º 144, relativa à aprovação do Estudo Prévio do Conjunto Habitacional de Montachique, nos antigos terrenos pertencentes ao Ministério da Saúde e Quinta de São Gião, que terá de certeza, algum impacto na vida quotidiana, da população que aqui reside. 

Do que se sabe até ao momento, do projeto, é o seguinte:

a. Destina-se a pessoas que vivem em "situações indignas e que não dispõem de capacidade financeira para aceder, sem apoio, a uma solução habitacional adequada"

b. É um investimento PRR; 

c. A intenção desenvolve-se numa área de 14.864,55 m2, e contempla cinco edifícios afetos a habitação, num total de 72 fogos, de tipologia t1 a t4. 

d. O projeto faz parte da Estratégia Local de Habitação do Concelho de Loures.


Pessoalmente, e ao contrário do que me acusaram em tempos, em sede de Assembleia de Freguesia de Lousa, onde estive enquanto eleito, não sou contra o "progresso" - relativamente à demolição das ruínas do Sanatório Albergaria Grandella. Sou a favor sim, de estratégias que valorizem o território existente, da salvaguarda das pessoas que habitam nesses locais, da participação informada e consentida das populações, de projetos que acrescentem qualidade de vida e estejam em linha com as questões ambientais atuais, e acima de tudo, na comunhão de interesses. Sobre este caso em concreto, e com a informação disponível no momento, posso dizer que me parece interessante, embora julgue que o mesmo, não tenha sido ainda discutido ou apresentado com/a "quem cá vive", pelo que deixo, para já, as seguintes questões: 

1. Haverá uma nova entrada para o Parque Municipal do Cabeço de Montachique, através deste novo conjunto? Que permita à população do Cabeço de Montachique aceder ao mesmo, de uma forma pedonal, sem utilizar o carro até à entrada atual? Ou que coloque a sua vida em risco caso o pretenda fazer a pé?

2. Encontra-se pensado para estas novas habitações, o realojamento das pessoas que atualmente vivem nos edifícios existentes (Casal do Andrade incluído) e pertença agora do Município de Loures? 

3. Haverá demolições dos edifícios existentes? Se sim, em que moldes? 

4. A "velha" aspiração desta comunidade, ou seja a construção da Casa Mortuária, encontra-se acautelada? 

5. A inserção na ER n.º 374 acautelará o aumento de tráfego previsto? 

6. Haverá alteração ao perfil da atual ER n.º 374, nomeadamente condições de acessibilidade pedonal?
 
7. Foi pensada uma nova organização administrativa do Cabeço de Montachique, nomeadamente colocar a aldeia sobre administração de uma única freguesia - pelo menos no Concelho de Loures?


Contudo, e de forma a conseguir produzir uma análise mais efetiva, hoje mesmo, irei contatar a Câmara Municipal de Loures, de forma a obter uma síntese destas intenções, de forma a publicá-las aqui, neste blogue sobre o Cabeço de Montachique, para Memória Futura. 


Carlos Costa Rodrigues 



Bailarico Saloio | Canções

"Bailarico Saloio" | Gisela João
Álbum: Gisela João | 2013

E para este dia acinzentado e de chuva, deixo ficar por aqui a interpretação (através da reinvenção cantada pela grande Amália) de Gisela João, do nosso "hino" saloio. 


Carlos Costa Rodrigues 

As princesas da cidade | Canções

"As Princesas da Cidade" | Aldeia da Roupa Branca
Realizador: Eduardo Chianca de Garcia | 1939 

E quem não se lembra do grande clássico do cinema português, "Aldeia da Roupa Branca"? Podemos afirmar com toda a certeza que é a homenagem máxima, feita a esse "povo" do norte de Lisboa: os Saloios! E do qual tenho imenso orgulho em pertencer. 


Desse filme, fica aqui um pequeno excerto do mesmo, com a canção "As Princesas da Cidade"(musicado pelo Raúl Portela), cantado pela enorme Beatriz Costa e José Amaro, e onde podemos perceber alguns termos do "falar" saloio, como "cólidade". 


"As princesas da cidade, oh, ai!, 
São bonequinhas de amar... 
Só a nossa «cólidade»
É de lavar e durar! 
Só a nossa «cólidade» 
É de lavar e durar! 

 Se o noivo é de Caneças, 
E a noiva é da Malveira, 
Já podem pedir meças, 
À saloiada inteira; 
Mas se não for com essas, 
Só há doutra maneira: 
A noiva de Caneças, 
E o noivo da Malveira".


Carlos Costa Rodrigues 

Cabeço de Montachique | Curiosidades

Imagem Ilustrativa
Mário Costa 


Sobre as termas e nascentes de uso terapêutico, existentes em Portugal, e referindo apenas as que se encontram na zona de Lisboa, encontramos referências sobre as que se encontram localizadas no Cabeço de Montachique, através da Memória do médico João Nunes Gago apresentada à Academia das Ciências em 1780 e arquivada na Biblioteca desta Academia (cit. Acciauoli 1944,II,84) . 

Nestas terras, existem duas nascentes, a da Mina Nova e a da Câmara, com indicações para o tratamento de Anemias, anémorreias e nevroses (Contreiras, 1951), e eram comercializadas em Lisboa, no início do século XIX, como se deduz de anúncios na Gazeta de Lisboa de 1812 até 1817, com os seguintes preços: garrafa de ½ canada 200 reis; de quartilho 140 reis; de ½ quartilho 110 reis, havendo um abatimento de 60 reis pelo vasilhame (Acciauoli, 1949) 

Guilherme Eschewege na sua Memória Geognóstica, ou golpe de vista da estratificação de diferentes rochas, de 1831, classifica estas águas, como águas férreas, afirmando existir várias nascentes. (cit. Acciauoli 1944/II,127) 

Em 1839, o então deputado Tavares Macedo apresentou às cortes, na sessão de 20 de julho, a proposta “… que o governo seja autorizado para dar à sociedade Pharmaceutica um conto de reis para trabalhos chimicos, especialmente a análise de águas mineraes […] vamos dar uma prova e estima a uma sociedade muito importante, uma sociedade que está fazendo grandes estudos, o que vai fazendo muita honra ao nosso Portugal”. 

Transformada em lei, a 31 de julho de 1839, a Sociedade Farmacêutica Lusitânia realizou ainda nesse ano, análises das nascentes no Cabeço de Montachique, sendo considerada como a mais importante, aquela localizada na estrada principal, junto ao chafariz. 

Já no séc. XX, nesta zona, é instalada um estabelecimento climatérico, para tratamento da tuberculose, que estará em funcionamento até à década de 70.


Carlos Costa Rodrigues 

Cabeço de Montachique | 1924

Perspetiva da Rua Dr. Catanho de Menezes, no Cabeço de Montachique | 1924
Autor desconhecido | Postal do Arquivo Municipal de Loures



Na imagem, uma perspetiva da Rua Dr. Catanho de Menezes em 1924. Do lado esquerdo da foto podemos observar o portal de entrada na Quinta da Sardinha (ainda existente), e do lado direito, a antiga Tasca (da Ti Alzira nos anos 80). 


Carlos Costa Rodrigues 

Cabeço de Montachique | Habitantes

"A menina do chapéu" | s/d
José Pólvora 


Cabeço de Montachique, além de ter sido a casa de muitos doentes que estavam internados nos diversos sanatórios existentes, e em habitações particulares onde se arrendavam quartos "particulares", também foi o abrigo de alguns artistas ligados à pintura. Além do filho da terra, o Tozé, destaca-se o José Pólvora, que criou aqui algumas das suas obras nos anos 70 do século XX. 


Na fotografia acima, encontramos o quadro "A menina do chapéu", que retrata a minha mãe (a Manuela Costa Rodrigues, ou a Nelinha, como é conhecida aqui na aldeia) quando era criança. E como hoje, ela completa 69 primaveras, e portanto, é "pequenina" novamente, ficam aqui os meus parabéns públicos, desejando-lhe o melhor dia possível. Parabéns mãe!  


Carlos Costa Rodrigues 

Cabeço de Montachique | Nas Linhas de Torres

Mapa das Linhas de Torres | 1874 
Luz Soriano


As Linhas de Torres Vedras, construídas a norte de Lisboa, na zona saloia de Torres Vedras, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Loures e Vila Franca de Xira, entre 1809 e 1812, constituem-se como uma das obras militares mais eficazes da história, uma vez que garantiram um dos maiores sistemas de defesa efetiva, estendendo-se por mais de 88 quilómetros, distribuídos por 3 linhas com 152 fortificações.


As estruturas militares (tais como fortes, redutos e postos de sinais), que constituíam o sistema defensivo de Lisboa denominado como Linhas de Torres, foram construídos em segredo (pese embora algumas notícias na impressa inglesa na altura), e como tal, apanharam os invasores Franceses de surpresa e foram um dos elementos determinantes na derrota das tropas napoleónicas na Península Ibérica.